Que fazes no próximo Domingo?

Que fazes no próximo Domingo?

27.1.07

JORNAL DE NOTÍCIAS, 25 de Janeiro

Espanha Iniciativa em Barcelona sobre o referendo ao aborto
Concentração contra a não participação dos emigrantes portugueses no escrutínio



Um grupo de emigrantes portugueses em Barcelona vai realizar, domingo, uma concentração contra a não participação dos portugueses residentes no estrangeiro no referendo à Interrupção Voluntária da Gravidez.

"Uma vez que não podemos votar, vamos votar de outra maneira através da criação de um blogue e dizer 'Sim' a partir de Barcelona", disse à Agência Lusa Nuno Gabriel Melo, que vive naquela cidade catalã há três anos.

Para expressar estas posições, o grupo de emigrantes lusos criou o "Tots Som Una Dona" (Todos somos uma mulher), um movimento que surgiu de forma espontânea e que se foi alargando, explicou o emigrante português.

Para Nuno Gabriel Melo, a questão do aborto "diz respeito a todos os portugueses", inclusive àqueles que moram fora de Portugal. Pelo menos os emigrantes que vivem na União Europeia deveriam participar no referendo, pois são aqueles que mais vezes se deslocam a Portugal, defende.

O movimento pretende realizar uma outra concentração, na Praça da Catalunha, no dia 04 de Fevereiro.

PORTUGAL DIÁRIO, 25 de Janeiro

Aborto: emigrantes contra exclusão no referendo


Um grupo de emigrantes portugueses, em Barcelona, vai realizar domingo naquela cidade espanhola uma concentração contra a não participação dos portugueses residentes no estrangeiro no referendo à Interrupção Voluntária da Gravidez, a 11 de Fevereiro, informa a agência Lusa.

Além de se manifestarem contra a não participação dos emigrantes no referendo, situação que consideram ser um «triste cenário», os portugueses residentes em Barcelona garantem que vão demonstrar o seu apoio ao «Sim».

Para expressar estas posições, emigrantes em Barcelona criaram o «Tots Som Una Dona» (Todos somos uma mulher), grupo de amigos que surgiu espontaneamente e que se foi alargando, disse à Lusa Nuno Gabriel Melo, um dos membros do movimento.

Explicou que os portugueses em Barcelona quando souberam que não podiam participar no referendo ficaram «surpreendidos» e resolveram criar um movimento para contestar esta decisão e manifestar o seu voto no «Sim».

Os portugueses criaram um blogue e vão ainda realizar uma outra concentração, na Praça da Catalunha, no dia 4 de Fevereiro.

Nestas concentrações, os portugueses esperam reunir algumas centenas de pessoas, nomeadamente cidadãos espanhóis e de outras nacionalidades.

«Uma vez que não podemos votar, vamos votar de outra maneira através da criação de um blogue e dizer «Sim» a partir de Barcelona», salientou Nuno Gabriel Melo, que vive naquela cidade catalã há três anos.

Para Nuno Gabriel Melo, a questão do aborto «diz respeito a todos os portugueses», inclusive àqueles que moram fora de Portugal.

O emigrante defendeu que pelo menos os portugueses que vivem na União Europeia deveriam participar no referendo, pois são aqueles que mais vezes se deslocam a Portugal.

Cerca de cinco mil portugueses estão inscritos no consulado de Portugal em Barcelona.

Na quarta-feira, a associação de jovens luso-franceses Cap Magellan lançou um inquérito na Internet para saber a opinião dos portugueses, no estrangeiro, sobre a despenalização do aborto e o facto de terem ficado de fora do referendo.

26.1.07

TSF, 25 de Janeiro, Noticiário 9h

Emigrantes exigem alteração da lei que os proibe de votar
Um movimento de emigrantes portugueses em Espanha contesta a lei que os proíbe de votar em referendos sobre questões que consideram também interessar a quem vive fora de Portugal, como é o caso da descriminalização do aborto.


Um movimento de emigrantes portugueses vai manifestar-se, na Praça da Catalunha, em Barcelona, nos dois próximos domingos, contra a lei que os proíbe de votar em referendos nacionais, como o da despenalização do aborto

O objectivo da concentração é exigir que a lei actual seja alterada no sentido de permitir aos emigrantes portugueses participar num referendo, sempre que estejam em causa temas que possam interessar a quem vive fora de Portugal.

Em declarações à TSF, Nuno Gabriel de Melo, que dá voz a esta exigência, opinou que, sobre algumas questões, como o aborto, «não faz sentido» não ter «acesso a um voto em que possa exprimir a sua opinião», porque muitos emigrantes mais cedo ou mais tarde regressam a Portugal.

Para Nuno Gabriel de Melo, se é possível «viver em qualquer espaço europeu», também é necessária uma «convergência» ao nível da União Europeia a outros níveis, como em «termos democráticos».

Apesar de entenderem que não poderão votar no referendo à despenalização do aborto até às dez semanas, marcado para 11 de Fevereiro, os emigrantes em protesto esperam que, no futuro, seja possível alterar a actual lei.




Para ouvir um excerto da entrevista concedida para a TSF:
http://www.tsf.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF177186
Aqui ficam algumas dicas de por onde já "passeia" a nossa iniciativa!


http://sim-referendo.blogspot.com/

http://abortodireitoadecidir.blogspot.com/

http://jovenspelosim.wordpress.com/2007/01/

http://pelo-sim.blogspot.com/

http://valedealmeida.blogspot.com/

http://maislivre.blogspot.com/

http://votosim.blogspot.com/

Concentração de dia 28 desconvocada

Conto-vos a história na primeira pessoa, por ter sido a responsável de que as concentrações fossem levadas a cabo pacífica e legalmente; contudo, por mais boas intenções que se tenha, ou por mais responsável que se seja, a entidade burocrática, bastante poderosa em países como Espanha ou Portugal, conseguiu superar-me!

No dia 16 de Janeiro dirigi-me aos Mossos d'Esquadra (força policial catalã) a fim de certificar-me se seria necessária uma autorização para realizar as concentrações, e se assim o era, a quem a deveria solicitar. Daí enviaram-me para o departamento dos Mossos d'Esquadra do Ajuntament de Barcelona, onde me informaram de que a autorização deveria ser entregue na Oficina de Atenció al Ciutadano. No dia seguinte, 17 de Janeiro, preenchi e entreguei um pedido de autorizaão para as duas concentrações, no qual constava uma breve mas clara explicação de quem somos e do que pretendíamos.
Passados dois dias, 19 de Janeiro, telefonaram do Ajuntament d'Eixample (bairro ao qual pertence a jurisdição da Plaça de Catalunya) a conceder autorização para as duas concentrações, sublinhando apenas dois aspectos: primeiro, se pretendessemos dispôr de uma "mesa informativa" deveríamos deslocar-nos ao Ajuntament e solicitá-la; segundo, dois dias antes de cada uma das concentrações teríamos que notificar os Mossos d'Esquadra da sua realização, para que estes pudessem estar sob alerta caso fosse necessário intervir.

Ora bem, estando, deste modo, autorizados, TOTS SOM UNA DONA iniciou o seu processo de divulgação da iniciativa através dos vários meios disponíveis: blogue, contactos de messenger, e-mails recolhidos entre conversas, notas de imprensa para a comunicação social (portuguesa, espanhola e catalã), etc.. Ao fim de dois dias, a mensagem atingia proporções não matematicamente calculadas pelos seus mentores; as visitas ao blogue aconteciam de uma forma considerável; o feedback chegava-nos em tons de surpresa, admiração e sensibilização para com a nossa situação; enfim, TOTS SOM UNA DONA ganhava algum terreno no espaço público!

Mas...
No dia 25 de Janeiro, tomámos a decisão de que seria interessante dispormos da tal "mesa informativa", deslocando-nos ao Ajuntament d'Eixample a fim de preencher uma nova autorização, supostamente complementar à primeira. No entanto, em conversa com o responsável por essa autorização, optámos por não a solicitar, uma vez que a "mesa informativa" implicaria uma localização geográfica que não nos era favorável. Assim sendo, apenas teríamos que notificar os Mossos d'Esquadra de que, passados dois dias, iríamos realizar a primeira de duas concentrações.
Nesse mesmo dia, telefonei para a Direcció General de Seguretat Ciutadana no sentido de notificá-los do acontecimento. E eis se não quando me respondem o seguinte: "Menina, o seu pedido de autorização deveria ser entregue com DEZ dias de antecedência!" .... .... ... .... Mas... mas... eu já estou a tratar do assunto desde o dia 16 de Janeiro; já entreguei o pedido de autorização no Ajuntament; disseram-me que só os teria que avisar dois dias antes... .... .... Foi mal informada!
Tentei contar a história toda; perguntei se não existia absolutamente forma alguma de nos concederem uma autorização, sobre um qualquer carácter de urgência; estrabuchei; reclamei! Nada feito! O melhor é entregar já o pedido de autorização para o dia 4!

Pois bem... que fazer?!
1. Entregar o pedido de autorização para dia 4, não deixando de denotar toda a história passada!
2. Desconvocar a concentração do dia 28, para que não hajam futuros desentendimentos com a autoridade!
3. Reunir esforços, concentrar energias e trabalhar ainda mais, para que no dia 4 de Fevereiro possamos ser uma poderosa voz a dizer SIM, a partir das 16h, na Plaça de Catalunya!

Vanda Galiza

25.1.07

E asSIM se afirma

Os impostos já financiam a assistência médica às mulheres vítimas das complicações derivadas do recurso ao aborto clandestino e cujas repercussões e custos dos SNS são bem superiores às da aplicação da lei da despenalização.
Carlos Carvalhas, PÚBLICO 18 de Janeiro de 2007

Quem não quer despenalizar pretende impor uma moral e obrigar todos os outros. Quem defende a despenalização não impõe obrigação nenhuma.
Manuel Alegre, PÚBLICO 18 de Janeiro de 2007

(...) o "não" tem a sua campanha construída em torno do medo, das incertezas e das dúvidas, e conta com essa campanha para desmobilizar o campo do "sim" e repetir 1998.
Rui Tavares, PÚBLICO 13 de Janeiro de 2007

(...) uma rigorosa, maleável e muito responsável intervenção dos defensores do "sim" no próximo referendo de 11 de Fevereiro como condição essencial para a vitória que a liberdade, a soberania da decisão e a dignidade das mulheres portuguesas exigem e, mais amplamente, para a abertura na sociedade portuguesa, nesta matéria, de uma nova página de humanismo e avanço civilizacional.
Vítor Dias, PÚBLICO 12 de Janeiro de 2007

Não mais a natureza ou o Estado, ou um qualquer religião a decidir sobre a vida e o futuro das mulheres, mas elas próprias.
Madalena Barbosa, PÚBLICO 4 de Janeiro de 2007

Parece impossível que ainda exista uma lei assim num país da Europa. Acho inacreditável que ainda se debata.

Paula Rego, DIÁRIO DE NOTÍCIAS 12 de Janeiro de 2007

É inadmissível que um país desenvolvido e moderno continue a fingir que nada se passa, quando milhares de abortos clandestinos continuam a ser feitos todos os anos.
José Sócrates, Primeiro-Ministro, PÚBLICO 21 de Janeiro de 2007

Uma paróquia da encantadora cidade alto-alentejana de Castelo de Vide exerce um cónego que decidiu esta semana ameaçar com a “excomunhão automática” a todos os cristãos que votarem “sim” no próximo referendo do dia 11 de Fevereiro.
Rui Tavares, PÚBLICO 20 de Janeiro de 2007

O aborto não é uma questão que divida. O que divide é a questão de saber (…) se faz sentido uma lei que olha para um assunto tão complexo de uma maneira tão simples e, sobretudo, tão cega.
Pedro Camacho, VISÃO 18 de Janeiro de 2007

De um referendo para outro o “não” já ganhou uma batalha: tornar a palavra “aborto” uma palavra maldita que não se pode usar a não ser de forma condenatória.
José Pacheco Pereira, SÁBADO 18 de Janeiro de 2007

Concedo que, nas últimas décadas, com a febre imobiliária que grassou no país, o aborto passou do “vão de escada” para o “apartamento de subúrbio”, mas, infelizmente, isso não alterou a natureza clandestina da intervenção.
José Pacheco, PÚBLICO 19 de Janeiro de 2007

É difícil, numa campanha, conseguir passar a mensagem de que uma pessoa que seja contra o aborto pode ser favorável à despenalização.
Ana Sá Lopes, DIÁRIO DE NOTÍCIAS 5 de Janeiro de 2007

Não há como conviver harmoniosamente com os pronunciamentos deste Papa. Então agora o senhor escolhe o Dia Mundial da Paz para anunciar aos seus fiéis que a prática de aborto e a experimentação em embriões humanos não são diferentes do terrorismo? É patético.
Clara Pinto Correia, 24 HORAS 3 de Janeiro de 2007

O diz que NÃO disse

Quem teve uma fraqueza e se arrepender é objecto da misericórdia divina. Mas a Igreja Católica é bastante dura e o direito canónico excomunga essa pessoa. A pessoa faz um aborto em plena consciência de que está a fazer um mal.
Luciano Guerra, Em entrevista ao Diário de Notícias

Estará a mudança proposta de acordo com o espírito do tempo? Contribuirá ela para a sociedade mais feliz, mais respeitadora do outro, mais solidária e mais desenvolvida que queremos construir?
(…)

Estará Portugal condenado a encetar, no século XXI, o caminho por que outros enveredaram no passado, quando até há sinais de que se está a evoluir em sentido inverso? Não aprendemos nada?!
João Paulo Barbosa de Melo, PÚBLICO 8 de Janeiro de 2007

Juntamente com as vítimas dos conflitos armados, do terrorismo e das mais diversas formas de violência, temos as mortes silenciosas provocadas pela fome, pelo aborto, pelas pesquisas sobre os embriões e pela eutanásia.
Sumo Pontífice, HOMOLIA DO DIA MUNDIAL DA PAZ

Abortar por opção sabendo que já bate um coração?
Outdoor da Plataforma Não-Obrigada

Contribuir com os meus impostos para financiar clínicas de aborto?
Outdoor da Plataforma Não-Obrigada

Abortar a pedido e passar o resto da vida a pedir que não tivesse acontecido?
Outdoor da Plataforma Não-Obrigada

É o caso de Espanha, onde a liberalização se faz pela prática ultraliberal dos médicos que reconhecem, a torto e a direito, que a mulher grávida que quer abortar tem sempre uma doença psíquica cujo remédio passa pelo aborto.
(…)

A alternativa aberta pelo próximo referendo de uma total liberalização do aborto até às dez semanas, por vontade discricionária e incontrolada da mulher grávida, é um excesso bárbaro, uma injustiça humana e uma mistificação constitucional.
Mário Pinto, PÚBLICO 15 de Janeiro de 2007

Basta pensar que um simples furto de um telemóvel é um crime, enquanto que a eliminação de uma vida humana, sem qualquer justificação para tal, deixará de ser.
Assunção Cristas, BLOGUE DO NÃO

O verdadeiro objectivo deste referendo é adoptar o aborto como meio de contracepção: opção mais fácil e cómoda, típica de sociedades de consumo entregues ao mais puro individualismo.
José Luís Ramos Pinheiro, Correio da Manhã 23 de Janeiro de 2007

O que está em causa neste referendo (e no de 1998) não é a despenalização, mas simplesmente a liberalização do aborto até às dez semanas, eliminando-se crianças saudáveis por exclusiva decisão da mãe, e sendo as mulheres penalizadas se fizerem aborto às dez semanas e um dia.
Matilde Sousa Franco, prefácio do Livro BLOGUE DO NÃO

Contribuir com o meu voto para aumentar o número de abortos?
Outdoor da Plataforma Não-Obrigada

(...) se o “sim” vencer o referendo, a interrupção voluntária de gravidez (IVG) passa a ser uma coisa normal.
JOÃO CÉSAR DAS NEVES, Conferência de Imprensa da Plataforma Não-Obrigada

Toda a gente ficou horrorizada com a execução de Saddam. A questão do aborto é uma variante da pena de morte.
D. ANTÓNIO MOREIRA MONTES, Lusa 15 de Janeiro de 2007

24.1.07

Colaboração de Neia Nunes

(Em resposta ao comentário publicado por Jorge Dias)

(...) "Espírito democrático é respeitar as opções dos outros desde que estas não colidam com os nossos direitos e liberdades". O direito que eu tenho sobre o meu corpo é inalienável. Dos meus princípios morais e/ou religiosos cuido eu. E o aborto, para quem o faz o tem de o fazer, será sempre uma questão de ânimo pesado, ânimo pessoal e intrasmissível, mas pesado.
Se eu não quiser pôr um filho no mundo, não há diabo, Deus ou homem algum que mo possa obrigar. Se eu que sou consciente da minha capacidade reprodutiva e da minha sexualidade, se eu me protejo e utilizo os meus contraceptivos ao meu dispor, se eu por uma fatalidade engravidar e não quiser ter/pôr no mundo, neste mundo, um filho, uma criatura, uma pessoa, não há ser ou lei ou moralidade alheia que mo obrigue. E ESTA é a minha liberdade que a mais ninguém imponho, que a nenhuma outra mulher posso impor. O SIM significa isso mesmo: que a mulher escolha, apoiada ou não, o que quer fazer com o seu corpo e com a sua consciência.
Não se esqueça nunca que a segunda causa de morte em Portugal de mulheres grávidas é o aborto clandestino. Só isso já deveria fazer o SIM ganhar, só isso deveria demover as pessoas que votam não.
Se o NÃO ganhar, não se esqueça nunca que as mulheres continuarão a ser criminosas e que continuarão a morrer.

Liberdade pela vida

Por Mariana Borges


Não, obrigada! Nunca gostei de convencionalismos sociais, sejam eles de índole puramente cívica ou etiqueta imposta pelas classes mais necessitadas de um abrigo de comportamentos singulares. Isto, para num primeiro momento dizer que detesto a palavra obrigada!
A campanha contra a interrupção voluntária da gravidez reitera, com firmeza, "não obrigada" e, para além dos argumentos desumanizados, inquieta-me, este slogan tão infeliz.
Os argumentos que os levam a agradecer aquilo a que denominam "o direito à vida" estão sujos de preconceito, mergulhados numa religiosidade bárbara, em que os princípios da própria religião-mãe, desde Jesus Cristo se negam, veemente, a apoiar, como princípio, a liberdade do homem. Pergunto-me, na minha "modesta condição de mulher afectada" qual é a implicação directa na vida dos demais e de cada um que a mulher, ser humano com direitos e deveres, possa ter o direito de decidir se tem condições para gerar uma vida. Esta vida não é una, indivisível, e com implicações directas só ao seu seio familiar. As vidas são compartidas, desde o momento que o homem é um ser eminentemente social. A mulher que decide não ter uma criança tem em si, e para o mundo onde vive, a sociedade que, mais não é do que o "nós", uma ligação de dependência emocional – económico-social tão estreita que a obriga a tomar decisões difíceis mas necessárias para poder viver nela com alguma dignidade.
Deverá uma mãe levar avante a sua gravidez, quando por uma panóplia de razões agudas não o quer, não o pode fazer? É a própria sociedade que não a deixa: problemas económicos, familiares, pessoais, que sublinho, mais uma vez, são sempre implicações no todo, na sociedade, na mulher, no homem, no "nós".
O dever " moral", não está definido já que todos o temos no limiar das nossas próprias limitações educacionais. Então, parece me justo, democrático e índice de um respeito de convivência social apoiar a liberdade de escolha, dentro desses tais parâmetros éticos que nos regem a todos diferenciadamente.
Deverá uma mulher levar a sua gravidez avante, por um ímpeto de solidariedade social das almas condenadas ao infortúnio do desrespeito alheio e obrigar a sociedade, nas suas demais estruturas institucionais e administrativas, a acolher uma criança que não tem "uma base sustentável de vivência" para alem daquilo que os outros defendem como um tal "o direito a vida"?
De direitos e deveres está a Constituição cheia. De ordens e regras está pautado o nosso dia desde o amanhecer. Direito à vida? De quem? À minha? À nossa? À de cada um… "direito a vida" é em si um valor primário que deve ser lido à luz individual da individualidade de cada um. A pseudo-mãe se é punida tem vetado em primeiro lugar, o direito à sua vida, a à autonomia que a denominação implica, é sem duvida um ser proibido das suas liberdades essenciais na categoria de ser humano que, quando a sociedade acordou para o respeito, institui numa coisa chamada"direitos humanos"
Há que ler a realidade sob as duas faces. Cara o coroa? Se os apoiantes do não falam em "direito à vida, direitos humanos" eu falo também. Mas numa perspectiva ainda mais humanista, mergulhada no argumento base e defensável de que uma mulher só pode gerar um ser e "dar lhe esse direito e vida", na exacta medida em que ela também o tiver. A liberdade de escolha, o direito, então, à sua própria vida!!!

22.1.07

TOTS SOM UNA DONA Manifesta-se

Somos um grupo de jovens portugueses residentes em Barcelona, espontaneamente criado como resultado do acompanhamento assíduo que fazemos da realidade político-social portuguesa, sendo esta actualmente pautada pela temática da despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Neste domínio, tomámos conhecimento de que, dada a nossa condição de portugueses residentes no estrangeiro, não poderemos exercer o direito de voto, uma vez que a matéria em questão não integra o nosso "interesse específico".
Contudo, na medida em que tal decorrência não se encontra em total conformidade para com os nossos princípios, projectámos duas concentrações na cidade de Barcelona, basicamente com o intuito de divulgar, por um lado, a nossa posição em relação à matéria a referendo, e, por outro, o facto de estarmos perante uma limitação democrática, institucionalmente conceptualizada na Lei do Referendo.

No que diz respeito à nossa posição, encontramo-nos claramente favoráveis à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, na medida em que partimos do pressuposto de que já não faz sentido permanecermos um país à margem das realidades progressistas e modernas existentes no resto da Europa. Assim sendo, colocamos o ênfase da questão no ponto de vista da clandestinidade, ou seja, do caminho para o qual a actual Lei direcciona as mulheres portuguesas, não sendo este o mais indicado, nomeadamente se pensarmos numa lógica de saúde pública (os números da clandestinidade do aborto em Portugal são a este nível preocupantes, estimando que se realizaram em Portugal, só no ultimo ano, 18000 abortos ilegais).

A realização de abortos clandestinos provoca:

- graves repercussões ao nível da vida e da saúde física e psíquica das mulheres que o praticam;

- desigualdade social, na medida em que existe uma solução alternativa para as mulheres pertencentes à classe média – as clínicas privadas espanholas –, já para não mencionar a discrepância patente na comparação dos direitos das mulheres portuguesas com os da maioria das residentes em Estados-Membros da UE;

- incremento de preconceitos e estigmas para com a mulher, pautados por uma doutrina religiosa e moral tradicionalmente imposta;

- manifestações de clara humilhação pública das mulheres levadas a julgamento pela prática de aborto – recorde-se o caso mediático das 17 mulheres portuguesas levadas a julgamento no Tribunal da Maia, em 2002;

- e, por fim, a impossibilidade de que se possa construir e solidificar uma perspectiva social sobre a saúde sexual e reprodutiva, que permita a realização da interrupção voluntária de uma gravidez indesejada num quadro de segurança, legalidade, acompanhamento estrutural e formação.

Neste sentido, e para que não hajam dúvidas, assumimos claramente que o nosso "sim" não se trata de um "sim" à prática do aborto (poucos serão aqueles que nos dias de hoje o defenderão), mas um "sim" claro à sua despenalização.

Conferência do Cairo (1994); Conferência de Pequim (1995); Relatório das Nações Unidas para a População (1997); Carta dos Direitos Sexuais e Reprodutivos (1997); e Parlamento Europeu (2002), são algumas das várias instâncias internacionais que têm alertado para as consequências do aborto clandestino e recomendado a despenalização da IVG.

Clarificada a nossa posição em relação à matéria referendada e à realidade portuguesa neste domínio, convém salientar a exclusão ao qual são votados milhares de portugueses residentes no estrangeiro. O Instituto Nacional de Estatística (INE) diz que, em 2006, 30 mil portugueses fixaram residência por mais de um ano em outros países. A Igreja Católica e os sindicatos dizem que, no ano que agora terminou, foram mais de cem mil os cidadãoos portugueses a procurar emprego e melhor qualidade de vida fora do território nacional, o que corresponde a um aumento de 20 por cento em relação a 2005.

Novas (ou velhas?) realidades das quais urge uma mudança na Lei do Referendo. Em época de globalizações e num contexto de livre circulação de pessoas no espaço da União Europeia, milhares de jovens portugueses serão excluídos de uma votação suficientemente importante para ser referendada, mas insuficientemente importante para ser do nosso “interesse específico”. Lembramos que ainda somos cidadãos portugueses e deveríamos ser considerados institucional e democraticamente. Não sendo possível aceder a esse histórico direito do voto, iremos votar simbolicamente na Plaça de Catalunya em Barcelona.

As duas concentrações realizar-se-ão nos próximos domingos dias 28 de Janeiro e 4 de Fevereiro, pelas 16h, na Plaça de Catalunya, durante as quais se distribuirão folhetos informativos sobre a questão em geral e particularmente sobre a posição por nós assumida e defendida.

Deste modo convidamos todos os cidadãos residentes em Barcelona, sensibilizados por esta questão, a afirmar um SIM a este referendo.


tots som una dona

20.1.07

Em Barcelona, também dizemos que sim!

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Esta é a questão que irá ser colocada aos portugueses - residentes em Portugal - em referendo a realizar-se no próximo dia 11 de Fevereiro. Ainda que não possamos votar, participaremos desde Barcelona afirmando que SIM!

Que queremos um país mais moderno, justo, e que nesta senda deixe definitivamente de condenar e criminalizar mulheres pela prática de interrupção voluntária da gravidez.


Neste âmbito, vamos organizar dois encontros nos próximos Domingos 28 de Janeiro e 4 de Fevereiro, pelas 16 horas, na Plaça de Catalunya, tendo como pano de fundo duas grandes motivações:

a) enquanto cidadãos portugueses residentes no estrangeiro, não poderemos votar neste referendo, uma vez que a matéria não é do nosso "interesse especifico";

b) - Conferência do Cairo (1994); Conferência de Pequim (1995); Relatório das Nações Unidas para a População (1997); Carta dos Direitos Sexuais e Reprodutivos (1997); e Parlamento Europeu (2002), são algumas das várias instâncias internacionais que têm alertado para as consequências do aborto clandestino e recomendado a despenalização da IVG.

Portugal a este nível não segue um rumo moderno e europeu, com consequências assoladoras ao nível do número de abortos ilegais realizados no nosso país - estimam-se 18000 por ano, e suas repercussões no âmbito da saúde física e psíquica das mulheres portuguesas.

Inglaterra (1967); Suécia (1974) França (1975); Espanha (1985);Grécia (1986); Alemanha (1995); Letónia ( 1995); Portugal (2007!)...
Não vamos uma vez mais ficar na cauda da Europa!


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tots som una dona





Plaça de Catalunya - Barcelona

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