Que fazes no próximo Domingo?

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24.1.07

Liberdade pela vida

Por Mariana Borges


Não, obrigada! Nunca gostei de convencionalismos sociais, sejam eles de índole puramente cívica ou etiqueta imposta pelas classes mais necessitadas de um abrigo de comportamentos singulares. Isto, para num primeiro momento dizer que detesto a palavra obrigada!
A campanha contra a interrupção voluntária da gravidez reitera, com firmeza, "não obrigada" e, para além dos argumentos desumanizados, inquieta-me, este slogan tão infeliz.
Os argumentos que os levam a agradecer aquilo a que denominam "o direito à vida" estão sujos de preconceito, mergulhados numa religiosidade bárbara, em que os princípios da própria religião-mãe, desde Jesus Cristo se negam, veemente, a apoiar, como princípio, a liberdade do homem. Pergunto-me, na minha "modesta condição de mulher afectada" qual é a implicação directa na vida dos demais e de cada um que a mulher, ser humano com direitos e deveres, possa ter o direito de decidir se tem condições para gerar uma vida. Esta vida não é una, indivisível, e com implicações directas só ao seu seio familiar. As vidas são compartidas, desde o momento que o homem é um ser eminentemente social. A mulher que decide não ter uma criança tem em si, e para o mundo onde vive, a sociedade que, mais não é do que o "nós", uma ligação de dependência emocional – económico-social tão estreita que a obriga a tomar decisões difíceis mas necessárias para poder viver nela com alguma dignidade.
Deverá uma mãe levar avante a sua gravidez, quando por uma panóplia de razões agudas não o quer, não o pode fazer? É a própria sociedade que não a deixa: problemas económicos, familiares, pessoais, que sublinho, mais uma vez, são sempre implicações no todo, na sociedade, na mulher, no homem, no "nós".
O dever " moral", não está definido já que todos o temos no limiar das nossas próprias limitações educacionais. Então, parece me justo, democrático e índice de um respeito de convivência social apoiar a liberdade de escolha, dentro desses tais parâmetros éticos que nos regem a todos diferenciadamente.
Deverá uma mulher levar a sua gravidez avante, por um ímpeto de solidariedade social das almas condenadas ao infortúnio do desrespeito alheio e obrigar a sociedade, nas suas demais estruturas institucionais e administrativas, a acolher uma criança que não tem "uma base sustentável de vivência" para alem daquilo que os outros defendem como um tal "o direito a vida"?
De direitos e deveres está a Constituição cheia. De ordens e regras está pautado o nosso dia desde o amanhecer. Direito à vida? De quem? À minha? À nossa? À de cada um… "direito a vida" é em si um valor primário que deve ser lido à luz individual da individualidade de cada um. A pseudo-mãe se é punida tem vetado em primeiro lugar, o direito à sua vida, a à autonomia que a denominação implica, é sem duvida um ser proibido das suas liberdades essenciais na categoria de ser humano que, quando a sociedade acordou para o respeito, institui numa coisa chamada"direitos humanos"
Há que ler a realidade sob as duas faces. Cara o coroa? Se os apoiantes do não falam em "direito à vida, direitos humanos" eu falo também. Mas numa perspectiva ainda mais humanista, mergulhada no argumento base e defensável de que uma mulher só pode gerar um ser e "dar lhe esse direito e vida", na exacta medida em que ela também o tiver. A liberdade de escolha, o direito, então, à sua própria vida!!!

1 comentários:

Gonçalo disse...

"Nunca gostei de convencionalismos sociais, sejam eles de índole puramente cívica ou etiqueta imposta pelas classes mais necessitadas de um abrigo de comportamentos singulares. Isto, para num primeiro momento dizer que detesto a palavra obrigada!"

Perdeste-me aqui.

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